Oscar Schmidt, um dos maiores nomes da história do esporte no Brasil, morreu nesta sexta-feira (17), aos 68 anos, em Santana do Parnaíba, na Grande São Paulo.
O ex-jogador passou mal em casa, na região de Alphaville, e foi levado ao Hospital e Maternidade Municipal Santa Ana. A causa da morte não foi divulgada.
Em nota, a família lamentou a perda e destacou a trajetória dentro e fora das quadras. Oscar enfrentava há mais de uma década um tumor cerebral, diagnosticado em 2011, e passou por diferentes tratamentos ao longo dos anos.
“Um dos maiores nomes da história do basquete mundial e uma figura de imenso significado humano e esportivo”, diz o comunicado, que também ressalta a coragem e a resiliência do atleta durante a doença. O velório e o enterro serão restritos a familiares e amigos.
Ícone do esporte brasileiro
Conhecido como “Mão Santa”, Oscar foi o principal responsável por transformar o basquete em um esporte popular no Brasil nas décadas de 1980 e 1990. Dono de um estilo ofensivo marcante, tornou-se referência mundial pela capacidade de pontuar.
Nascido em Natal (RN), em 16 de fevereiro de 1958, construiu uma carreira histórica tanto em clubes quanto na seleção brasileira. Com a camisa 14, disputou cinco Olimpíadas consecutivas — de Moscou 1980 a Atlanta 1996 — e marcou 1.093 pontos, tornando-se o maior cestinha da história dos Jogos.
Mesmo sem nunca atuar na NBA, foi reconhecido internacionalmente. Em 2013, entrou para o Hall da Fama do basquete, consolidando seu lugar entre os maiores da modalidade.
Carreira e decisões marcantes
Oscar começou no basquete ainda jovem, após abandonar o sonho de ser jogador de futebol. Em São Paulo, destacou-se no Palmeiras e rapidamente chegou à seleção.
Ao longo da carreira, passou por clubes como Sírio, onde conquistou o Mundial de Clubes em 1979, e pelo basquete italiano, defendendo o JuveCaserta por mais de uma década.
Em 1984, foi escolhido no draft da NBA pelo New Jersey Nets, mas recusou o contrato para seguir defendendo a seleção brasileira — decisão que marcaria sua trajetória.
Três anos depois, liderou o Brasil na conquista histórica do ouro no Pan-Americano de Indianápolis, derrotando os Estados Unidos em plena casa adversária.
Recordes e legado
Ao se aposentar, em 2003, Oscar somava 49.737 pontos na carreira, sendo por anos o maior pontuador da história do basquete mundial.
Pela seleção, acumulou 7.693 pontos e tornou-se o maior cestinha da história do Brasil. Também foi destaque em três Olimpíadas como principal pontuador das edições.
Seu impacto, no entanto, vai além dos números. Com carisma, personalidade forte e amor declarado à camisa da seleção, ajudou a construir uma geração de fãs e inspirou atletas em todo o país.
Últimas homenagens
No último dia 8 de abril, Oscar foi um dos homenageados pelo Comitê Olímpico do Brasil em cerimônia no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro. Ele não pôde comparecer por motivos de saúde e foi representado pelo filho, Felipe Schmidt.
“Uma das maiores felicidades dele era defender o Brasil nas Olimpíadas”, disse Felipe na ocasião.
A morte de Oscar Schmidt encerra um dos capítulos mais marcantes da história do esporte brasileiro. Seu legado permanece vivo nas quadras, nos recordes e na memória de gerações que aprenderam a amar o basquete com o eterno camisa 14.

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