É comum que tutores, ao perceberem que um cachorro ou gato está com dor, febre, vômito ou algum outro desconforto, procurem dentro de casa um medicamento que já utilizam. Um comprimido para dor, um anti-inflamatório ou até mesmo um produto considerado inofensivo pode parecer uma solução rápida.
O problema é que cães e gatos não possuem o mesmo organismo dos seres humanos. As substâncias são absorvidas, metabolizadas e eliminadas de maneira diferente, e a administração de um medicamento sem orientação veterinária pode provocar desde efeitos graves até intoxicações que podem levar o animal à morte.
Em entrevista ao comunicador Juliano Barbosa, a médica veterinária Dra. Rayana Pereira de Camargo, da Clínica Veterinária Pet&Gatô, de Jardim Alegre, fez um alerta aos tutores sobre os riscos da automedicação.
“Já atendemos animais intoxicados após receberem medicamentos de uso humano em casa. Infelizmente, também já tivemos casos que evoluíram para óbito. Muitas vezes o tutor administra o medicamento com a intenção de ajudar, sem imaginar o risco que aquele produto representa para o animal.”
O mesmo medicamento não tem o mesmo efeito em todas as espécies
Um dos principais equívocos é acreditar que basta reduzir a quantidade do medicamento de acordo com o tamanho ou peso do animal.
De acordo com a veterinária, existem diferenças importantes na forma como seres humanos, cães e gatos absorvem, metabolizam e eliminam determinadas substâncias. E essas diferenças também existem entre cães e gatos.
Os gatos, por exemplo, possuem particularidades metabólicas que podem torná-los especialmente vulneráveis a determinados princípios ativos.
Um dos exemplos citados por Rayana é o paracetamol, que pode provocar alterações graves no organismo dos gatos, afetando as hemácias, o transporte de oxigênio e o fígado, podendo ser fatal.
Outro grupo que exige atenção são os anti-inflamatórios não esteroidais, entre eles medicamentos como ibuprofeno e diclofenaco.
Dependendo da substância e da quantidade ingerida, esses medicamentos podem provocar problemas gastrointestinais, úlceras, sangramentos e comprometimento renal.
Risco não está apenas nos remédios para dor
O alerta também vale para outras classes de medicamentos que podem estar presentes nas residências.
Antidepressivos, medicamentos para dormir, descongestionantes, remédios cardiovasculares e diversas outras substâncias podem causar intoxicações quando ingeridas pelos animais.
Por isso, a presença de um medicamento dentro de casa exige cuidado, principalmente em locais onde cães e gatos conseguem ter acesso aos produtos.
“Mas eu já dei antes e não aconteceu nada”
Durante a entrevista, Rayana também chamou atenção para uma frase que pode transmitir uma falsa sensação de segurança aos tutores:
“Mas eu já dei antes e não aconteceu nada.”
O fato de um animal ter recebido determinado medicamento anteriormente sem apresentar sinais aparentes de intoxicação não significa que o produto seja seguro.
O risco pode variar de acordo com a substância, a dose, a frequência de administração e as condições individuais do paciente.
Idade e possíveis problemas renais ou hepáticos, por exemplo, também podem influenciar a resposta do organismo.
Orientação veterinária é fundamental
A principal recomendação é que medicamentos de uso humano não sejam administrados a cães e gatos por conta própria.
Quando o animal apresentar sinais como dor, vômito, febre ou qualquer alteração de comportamento ou saúde, o indicado é buscar avaliação de um médico veterinário para identificar a causa do problema e definir o tratamento adequado.
Em situações de possível intoxicação ou ingestão acidental de medicamentos, a orientação é procurar atendimento veterinário o mais rápido possível. Sempre que possível, o tutor deve informar ao profissional qual foi a substância ingerida, a quantidade e aproximadamente quando ocorreu a ingestão.
O alerta da médica veterinária reforça a importância de evitar tratamentos caseiros e de manter medicamentos fora do alcance dos animais.

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