O cantor, compositor e pianista Benito Di Paula morreu neste domingo (18), aos 84 anos, em São Paulo. O artista estava internado no Hospital 9 de Julho e faleceu em decorrência de complicações de um câncer de próstata, doença que enfrentava havia aproximadamente um ano.
Nascido Uday Vellozo, em 28 de novembro de 1941, na cidade de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, Benito construiu uma das trajetórias mais marcantes da música popular brasileira, especialmente durante as décadas de 1970 e 1980.
O artista conquistou projeção nacional ao desenvolver um estilo próprio, que unia o samba ao piano e a elementos da música romântica. Sua maneira de tocar, com ritmo percussivo ao piano, tornou-se uma de suas principais marcas e ajudou a diferenciá-lo de outros nomes do gênero.
Sucessos marcaram gerações
A carreira de Benito Di Paula ganhou força no início dos anos 1970. Entre as canções que ajudaram a consolidar seu nome estão “Retalhos de Cetim”, “Charlie Brown”, “Beleza que É Você, Mulher”, “Vai Ficar na Saudade”, “Tudo Está no Seu Lugar” e “Do Jeito que a Vida Quer”.
Lançada em 1973, “Retalhos de Cetim” tornou-se um dos maiores sucessos de sua trajetória e ajudou a impulsionar sua popularidade em todo o país. A combinação entre piano, percussão e interpretações marcantes passou a caracterizar sua identidade musical.
Benito costumava se definir como “sambeiro” e “pianeiro”, expressões que refletiam sua forma particular de compreender e interpretar o samba. Seu repertório também conquistou espaço nas rádios e nos programas de televisão, tornando o artista uma figura conhecida do público brasileiro.
Na primeira metade dos anos 1980, ele continuou emplacando músicas, entre elas “Ah! Como Eu Amei” e “Amigo do Sol, Amigo da Lua”, que integrou a trilha sonora da novela A Gata Comeu, da TV Globo, em 1985.
Homenagem no Carnaval
Mesmo com menor presença no mercado fonográfico nas décadas seguintes, Benito manteve sua ligação com a música e continuou lançando trabalhos. Em 2021, apresentou o álbum “O Infalível Zen”, em parceria com o filho, Rodrigo Vellozo.
Em 2025, sua trajetória foi homenageada pela escola de samba Águia de Ouro, no Carnaval de São Paulo. O enredo “Em Retalhos de Cetim, a Águia de Ouro do jeito que a vida quer” destacou a contribuição do artista para a música brasileira, com a participação do próprio Benito no desfile.
A obra do cantor atravessou gerações e consolidou seu nome entre os artistas populares que ajudaram a ampliar as possibilidades do samba, aproximando o gênero de sonoridades românticas e da força melódica do piano.
Até a publicação das primeiras informações sobre a morte, não haviam sido divulgados detalhes sobre o velório e o sepultamento.
Benito Di Paula deixa um repertório que permanece presente na memória musical brasileira, com canções que continuam sendo lembradas pelo público décadas após seu lançamento.

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