A empresária e psicóloga Juliana Roncaratti, de 40 anos, moradora de Londrina, no norte do Paraná, viveu momentos de desespero após sofrer um grave choque elétrico no dia 18 de outubro, enquanto estava em um hotel em Florianópolis (SC) para participar de um evento de sua empresa. O acidente aconteceu quando ela tentou conectar o celular ao carregador — que não era o original do aparelho — e o conector se soltou. Ao tentar encaixá-lo novamente, sem perceber que o cabo ainda estava ligado na tomada, Juliana sofreu uma descarga elétrica de 220 volts.
Com o impacto do choque, seu corpo sofreu uma forte contração muscular, fazendo com que ela batesse o rosto contra a parede e, em seguida, caísse, batendo a cabeça no chão. Logo após o choque, Juliana teve uma convulsão e perdeu a consciência. Sua sócia, que estava no local, ouviu o grito e correu para ajudá-la, acionando a equipe do hotel e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Quando recobrou a consciência, Juliana estava completamente desorientada. “Eu não sabia onde estava, quem eu era, não reconhecia ninguém. Não conseguia falar, não conseguia nada”, contou. Os profissionais do Samu tentaram fazer perguntas simples para avaliar sua memória, mas ela não conseguia responder. A lembrança dos acontecimentos e o reconhecimento das pessoas só retornaram cerca de seis horas depois.
Conforme apurado pelo Portal Juliano Barbosa, com informações do g1 Paraná, o acidente causou ferimentos no rosto, um corte no lábio e outro na parte de trás da cabeça. Uma semana depois, Juliana já estava em casa, em Londrina, se recuperando e fazendo acompanhamento com um neurologista. Ela está em tratamento com medicamentos anticonvulsivantes por precaução e segue sem sequelas permanentes, embora ainda sinta dores no corpo em razão da convulsão e das quedas.
Juliana afirma que o choque quase foi fatal e que a experiência serviu como um alerta sobre os riscos do uso de carregadores e equipamentos não originais. “Eu quase morri. Todos os médicos disseram que esse choque poderia ter sido fatal. Às vezes, a gente não percebe o perigo que está em uma tomada, em um fio, em um simples descuido do dia a dia”, relatou.
Juliana tem 40 anos e estava viajando quando acidente aconteceu. — Foto: Kajuí Produtora Audiovisual
De acordo com a Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel), o mais provável é que o carregador tenha falhado e, com a peça desencaixada, Juliana tenha tocado diretamente em uma parte energizada. O engenheiro eletricista Edson Martinho, diretor-executivo da entidade, explica que carregadores de celular são projetados para transformar a energia de 127 ou 220 volts em apenas 5 volts, necessários para a bateria do celular. Se o carregador estiver com defeito — especialmente se for falsificado ou de baixa qualidade —, ele pode transmitir toda a voltagem da rede, causando acidentes graves.
Martinho reforça que nunca se deve mexer em cabos ou carregadores conectados à tomada e que o celular deve ser usado apenas quando estiver fora do carregador. “Esses equipamentos precisam ser originais e certificados. Uma falha pode transferir os 220 volts direto para o corpo da pessoa”, alertou.
Após o susto, Juliana se recupera bem e faz questão de compartilhar sua história para conscientizar outras pessoas. “Hoje, eu vejo que foi um milagre estar viva. Quero que as pessoas entendam que o risco é real. Um simples gesto, como tentar encaixar um cabo, pode mudar tudo em segundos”, afirmou.
